quinta-feira, 25 de abril de 2013

DEPRESSÃO PÓS PARTO



Como evitar a depressão pós-parto
Publicado em 18 de Apr de 2013 por Ana Paula Ferreira (UOL)


Texto: Fernanda Emmerick


Gravidez é espera, ansiedade e temor. No entanto, se a angústia se transformar em uma enorme tristeza e num desprezo pelo recém-nascido pode ser sinal de depressão pós-parto. Saiba como evita-la
 
Uma dica para evitar a depressão pós-parto é cuidar do setor emocional como cuida do físico.
Tenha cautela e paciência.

Toda aquela expectativa da chegada do bebê nem sempre é só flores, berços ou mamadeiras. Muitas mamães, principalmente as de primeira viagem, não conseguem lidar com a angústia e ansiedade comuns do momento. Por isso, é importante ficar atento às transformações comportamentais e psicológicas para que a magia da gravidez não seja substituída por uma fase conturbada e cheia de lágrimas e rejeição com a depressão pós-parto.
A depressão, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), atinge 121 milhões de pessoas no mundo e 17 milhões só no Brasil. A psicanálise não diferencia a “comum” da pós-parto, que acomete entre 10% a 20% das brasileiras, pois o que as distingue é o objeto que desencadeia tal abatimento. No segundo caso, ela aparece depois de três ou quatro semanas após o nascimento do neném, ou seja, no período puerperal.
Entretanto, os sinais apresentados nessa fase que deveria ser tão especial são os mesmos da depressão “comum”. “Os principais sintomas visíveis são a falta de cuidado consigo mesma e com o bebê, a ausência de higiene, constante expressão de tristeza, facilidade de chorar e alterações graves no sono, humor e apetite”, afirma Araceli Albino, psicanalista e presidente do Sindicato dos Psicanalistas do Estado de São Paulo.
O perfil daquelas que sofrem ou sofreram desse mal costuma ser de alguém com baixa autoestima, que não sabe enfrentar perdas, além de quem passou por problemas de infertilidade e busca uma completude ao engravidar. Essa mãe, então, não suportará perder tal laço, o que acaba desencadeando um esmorecimento passageiro e leve ou mesmo uma profunda melancolia. “No entanto, é importante não confundir com o baby blues, etapa normal que acontece logo no terceiro ou quarto dia após o nascimento do filho e é caracterizada por uma tristeza discreta e apenas uma dificuldade para dormir e comer”, explica Gustavo Kroger, ginecologista da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
Contudo, é possível evitar a depressão pós-parto com cuidados ainda no período de gestação. Veja abaixo quais são eles:
- Cuide do setor emocional como cuida do seu físico. Tenha cautela, paciência e também bastante empenho.
- Busque conversar sobre o que está se passando com você e verá como certas fantasias, emoções e desejos são comuns. Pode ser com seu médico, um psicoterapeuta ou com um grupo de gestantes.
- Aceite que a chegada do bebê trará mudanças e nem sempre saberá como fazer. Ficará atrapalhada, perdida, irritada e triste, mas nada disso quer dizer que você está doente ou não gosta dele.
- Não fique fechada dentro de casa ou se dedicando somente a pensamentos sobre o filho. Continue fazendo passeios, saindo com os amigos e conhecendo lugares e pessoas novas. Se mexa!
- Prepare o ambiente familiar e conjugal para as alterações que irão, inevitavelmente, acontecer na vida de todos. Converse bastante sobre como poderão reestruturar o cotidiano de cada um envolvido.

 

quinta-feira, 18 de abril de 2013

ADOLESCENTES E A ALIMENTAÇÃO




ADOLESCENTES COM TRANSTORNO ALIMENTAR - CONHEÇA OS SINAIS 

*fonte: Louise Vernier e Rita Trevisan
Do UOL, em São Paulo - 17/04/201308h25 
google images
 Evitar fazer as refeições em família pode ser indício de transtorno alimentar

Irritabilidade, isolamento, tristeza e queda no rendimento escolar são comuns em adolescentes em determinados momentos do desenvolvimento. Mas, se esses sintomas vêm acompanhados da recusa alimentar progressiva ou dos excessos à mesa, é bom ficar atento.Esses são os sinais mais comuns de transtorno alimentar, um problema que vem crescendo em todo o mundo.
Em geral, esses males levam o jovem a assumir uma mudança repentina de comportamento em relação à comida, seja por meio da rejeição ou da compulsão. Outro indício claro de transtorno alimentar é a insatisfação com o próprio corpo. "Durante a adolescência, os transtornos alimentares mais freqüentes são a anorexia nervosa, a bulimia nervosa e a compulsão alimentar", afirma o psiquiatra Adriano Segal, diretor de psiquiatria e transtornos alimentares da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica).

De acordo com o psiquiatra da Abeso, os transtornos alimentares são mais comuns entre as meninas, mas podem atingir meninos também.
Cada um dos problemas possui  sintomas específicos. No caso da anorexia nervosa, é comum que o adolescente apresente baixo peso para sua altura e idade, medo exagerado de engordar e distorção da imagem corporal. Assim, uma garota que sofre desse transtorno verá sua imagem diferente no espelho e, mesmo sendo magra, poderá se enxergar com medidas mais avantajadas.
O bulímico, pelo contrário, não costuma ter oscilações de peso, o que dificulta o diagnóstico da doença pela família. "Ele normalmente come de forma compulsiva, em grandes quantidades. Porém, logo após a refeição, para compensar o abuso, induz o vômito, toma laxantes, diuréticos ou se submete a dietas extremamente restritivas e à prática de atividade física compulsiva", diz o psiquiatra Glauber Higa Kaio, do Programa de Atenção aos Transtornos Alimentares da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Assim como a bulimia, a compulsão alimentar é caracterizada pelo descontrole diante da comida, porém quem sofre desse mal não cria nenhuma estratégia de compensação e acaba ganhando peso. "A pessoa fica deprimida e com forte sentimento de culpa por ter comido em excesso. Com o tempo, isso pode levar a uma condição de isolamento", afirma a psicóloga Marilice Rubbo de Carvalho, especialista em transtornos alimentares pela Escola Paulista de Medicina.

Outros sinais ajudam a fechar o diagnóstico de transtorno alimentar, como, por exemplo, evitar fazer as refeições com os pais, passar muito tempo no banheiro logo depois de comer, ter certa obsessão pór alimentos lights e diets e contar as calorias de tudo o que consome.

"Obviamente, cabe aos pais estimular hábitos saudáveis. Mas é preciso estar atento para perceber quando esse aspecto da preocupação com o que come se torna  exacerbado. Na dúvida, vale procurar orientação profissional", declara o psicólogo Marco Antonio De Tommaso.

De acordo com o especialista, esses transtornos são mais comuns no final da adolescência.Porém, vêm crescendo significativamente os casos entre jovens a partir dos 12 anos, em grande parte por conta do padrão de beleza valorizado atualmente, que parte do corpo esguio como um modelo a ser perseguido.


O papel dos pais


Pediatras ou mesmo clínicos gerais fazem o diagnóstico do transtorno alimentar, porém, uma vez descoberto o problema, o ideal é procurar um psiquiatra ou um profissional especializado na doença.

Ignorar os sinais ou adiar o tratamento pode ser perigoso. "O risco é o adolescente desenvolver um quadro de desnutrição grave, que certamente vai deixá-lo debilitado. No caso da compulsão alimentar, o perigo é ganhar peso e desenvolver doenças crônicas associadas à obesidade, como diabetes e colesterol alto", afirma a endocrinologista Maria Edna de Melo, do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas de São Paulo.

E, muito além de levar o filho ao médico, é importante que os pais se orientem e acompanhem de perto o tratamento, já que a taxa de reincidência é grande. "Os pais devem ser um modelo de comportamento dentro de casa, alimentando-se adequadamente e mantendo hábitos de vida saudáveis, mas sem exageros", diz Kaio, da Unifesp.

Segundo o psiquiatra, é necessário conversar bastante com o adolescente. "Os pais devem se colocar sempre na posição de quem quer ajudar a encontrar recursos para vencer o problema, evitando julgar, criticar ou resolver na base do conflito. Se o adolescente se sente acuado ou confrontado, as chances do tratamento dar certo diminuem", declara a psicanalista Dirce de Sá Freire, professora do curso de transtornos alimentares da PUC do Rio de Janeiro.